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sábado, 14 de novembro de 2009

Eleições CAHis 2009 - CA em Movimento: Construir a UNE pela BASE!


A UNE tem mais de 70 anos de história de lutas, como na campanha do “Petróleo é Nosso”, na construção dos projetos de reformas de base do governo João Goulart, nas Diretas Já, no Fora Collor. Infelizmente, o grupo que está à frente da nossa entidade há mais de quinze anos, fez a opção de dirigir a entidade de forma cada vez mais institucionalizada, conciliatória, defensiva, antidemocrática e afastada da sua base. Isso num cenário de avanço das políticas neoliberais nos anos 90 e o conseqüente descenso das lutas sociais como um todo, faz com que a UNE seja cada vez menos reconhecida como entidade representativa por sua base social, os estudantes.

Devemos ter em mente, porém, que não existem soluções fáceis para os problemas pelos quais o movimento estudantil atravessa nos últimos anos. Acreditamos que a criação de qualquer entidade, ou outro tipo de espaço de articulação nacional não é a solução para esses problemas, pelo contrário, divide e enfraquece o movimento. Além disso, experiências desse tipo já não surtiram efeito em outras ocasiões e os motivos são muitos: o sectarismo, a forma maniqueísta de se tratar a questão, a partidarização do problema, a ilusória avaliação de que a base dos estudantes clamava por uma nova direção. Mais recentemente a tentativa de se criar uma nova entidade nacional acabou por reproduzir os mesmos problemas que encontramos na UNE: a hegemonia de uma única força política, a falta de democracia e transparência na escolha de delegadas/os, e principalmente, a falta de legitimidade na base.

O peleguismo de um lado, e o divisionismo do outro, se combatem com luta cotidiana na base. No próximo período o CAHis tem o papel de trazer a UNE para perto das/dos estudantes fazendo a disputa da UNE em cada mobilização, em cada luta encabeçada pela entidade. Duas grandes pautas da UNE devem dar conta de movimentar a base e recolocar a UNE no dia-a-dia das/dos estudantes, e o CAHis deve ser protagonista nesse processo de disputa e construção da nossa entidade nacional. 

A primeira delas é a Campanha Nacional da UNE em defesa dos 50% do Fundo do Pré-Sal para a Educação, na qual o CAHis deve se incorporar encampando também a pauta dos movimentos sociais no que diz respeito ao novo marco regulatório defendendo 100% do Pré-Sal para a Petrobrás, criando um Comitê da Campanha da UNE pelo Pré-Sal na UFBA junto às outras entidades de base e o DCE.
 
A outra diz respeito ao projeto de Reforma Universitária da UNE que completará um ano de aprovado no seu ultimo Congresso Nacional de Entidades de Base (CONEB) em Janeiro do ano que vem. Depois de muito tempo tendo uma posição reativa ao governo, se colocando no dilema entre ser contra ou a favor das propostas do governo, a UNE finalmente parte para uma posição propositiva e formula seu próprio projeto de Universidade. Porém, não basta aprová-lo, o projeto deve ser conhecido e debatido na base das/dos estudantes, e reverberar pela universidade. Construir a UNE na base é construir luta de verdade, e deve fazer parte da agenda política do CAHis construir e disputar a UNE em todos os espaços.


sexta-feira, 19 de junho de 2009

CONUNE x CNE

De 15 a 19 de julho, a União Nacional dos Estudantes realizará seu 51º Congresso na cidade de Brasília. Em todas as universidades do Brasil, milhares de estudantes se organizam para a tiragem de delegados/as que irão representar cada uma dessas instituições. Na Ufba não foi diferente, e com um total de 2655 votantes, elege os seus 26 delegados/as.

Este CONUNE deve ser encarado como um espaço importante para discutir os rumos da educação brasileira em tempos de expansão e reestruturação das Universidades, crise do capitalismo, e às vésperas de um ano eleitoral decisivo para a vida dos/das trabalhadores/as. Portanto, a UNE pode e deve exercer o papel de articular nacionalmente as lutas estudantis e ser protagonista nas lutas sociais no próximo período.

A UNE tem mais de 70 anos de história de lutas, como na campanha do “Petróleo é Nosso”, na construção dos projetos de reformas de base do governo João Goulart, nas Diretas Já, no Fora Collor. Infelizmente, o grupo que está à frente da nossa entidade há mais de quinze anos, a União da Juventude Socialista (UJS) e aliados, fez a opção de dirigir a entidade de forma cada vez mais institucionalizada, conciliatória, defensiva, antidemocrática e afastada da sua base. Isso num cenário de avanço das políticas neoliberais nos anos 90 e o conseqüente descenso das lutas sociais como um todo, faz com que a UNE seja cada vez menos reconhecida como entidade representativa por sua base social, os estudantes.

Frente a esta situação, em 2004, um setor minoritário do movimento estudantil, encabeçado pela Juventude do PSTU, faz a opção de romper com a UNE e propor a criação de uma nova entidade. Em sua primeira tentativa, cria a Coordenação Nacional de Lutas Estudantis (CONLUTE), com sua baixa adesão, transforma a tentativa de entidade em agrupamento político que iria construir a Frente de Lutas Contra a Reforma Universitária, outra frente de atuação por fora da UNE que também falha. Com a falência das duas experiências, resolvem construir um Congresso Nacional de Estudantes (CNE), também com o objetivo de dali se criar uma nova entidade nacional em alternativa à UNE.

Há inúmeros motivos para as articulações nacionais por fora da UNE terem dado errado: seu sectarismo, a forma maniqueísta de se tratar a questão, a partidarização do problema, a ilusória avaliação de que a base dos estudantes clamavam por uma nova direção.

Porém, diante disso, a Juventude do PSTU junto com outros setores optam por construir o CNE de forma ainda mais despolitizada. Ao convocar um congresso de estudantes sem proclamar o rompimento com a UNE tentam claramente atrair setores que ainda disputam a entidade. Colocam as ocupações de reitorias de 2007 como paradigmas para a construção de um congresso para articular essas lutas, sem considerar a existência e o papel da UNE como entidade de frente única que teria o papel de fazê-lo. Ainda que a própria UNE não se faça existir nos momentos mais importantes de luta dos/as estudantes, não fazer o debate real sobre seus problemas é não fazer o debate real da crise do movimento estudantil.

Ainda que todas as teses inscritas no CNE apontem para a suposta “falência” da UNE e a necessidade do rompimento com esta, esse debate sequer é feito na base dos estudantes nas suas tiragens de delegados, colocando o CNE como produto “natural” das mobilizações dos últimos anos.

Qualquer entidade, ou outro tipo de espaço de articulação nacional feita nesses moldes, sem fazer o debate real da crise do movimento estudantil na base, sem maniqueísmos ou ilusões, está fadada ao fracasso.

domingo, 27 de maio de 2007

ME Nacional-2006

ATITUDE e RESISTÊNCIA no ME Nacional

A União Nacional dos Estudantes vive uma de suas maiores crises de legitimidade frente à comunidade estudantil. A entidade representativa do movimento estudantil brasileiro alcança sete décadas de história numa conjuntura política delicada de divisão da esquerda e descenso da mobilização social.

Para encontrar as possíveis causas da crise da UNE sem correr o risco de fazer análises descoladas da realidade e do momento político atual que vivemos, deve-se compreender a luta estudantil como um setor dentre tantos outros movimentos sociais que enfrentam o mesmo refluxo proveniente de quase 20 anos de ofensiva do neoliberalismo e de sucessivos ataques para com suas bandeiras e organização.

Para além de visualizar o pano de fundo vivido pelos movimentos sociais no Brasil, é preciso apontar também que especificidades são próprias da organização estudantil e de que maneira estas determinam ou ajudam a explicar a crise do movimento e de suas representações.

Dentre as causas específicas, podemos citar aquelas estruturais, ou seja, problemáticas que são e sempre serão próprias do ME; e aquelas conjunturais, que dizem respeito ao momento que vive a UNE e a base social que a compõe.

O caráter transitório da militância política de um estudante que, diferentemente de outros movimentos, atua durante somente três ou quatro anos em média, torna a luta estudantil refém da conjuntura mais do que qualquer outro setor do movimento social. Sempre foi assim e sempre será. Se os dias são de dificuldade para a mobilização na sociedade em geral, isso atinge ainda com mais força o ME.

Outro fator que se pode classificar como próprio do ME é o seu caráter policlassista que dificulta muito a organização em massa das(os) estudantes em torno de um projeto de esquerda e que aponte para a superação do neoliberalismo e de suas investidas na educação.

Só isso já faz com que o movimento estudantil tenha uma dificuldade enorme de se organizar ou ao menos de se manter organizado por um período longo.

No entanto, o diagnóstico completo da atual crise (que há muito já deixou de ser uma simples crise de direção) só é possível fazer apontando os elementos conjunturais vividos ME nos últimos anos.

Numa tentativa de síntese desses elementos, deve-se no mínimo apontar alguns aspectos e momentos decisivos sem os quais não se pode compreender a falta de legitimidade que hoje abala a UNE e a luta estudantil.

O mais significativo deles, como não poderia deixar de ser, é a postura adotada ao longo dos últimos anos pela direção majoritária dentro da entidade, leia-se UJS/PCdoB.

Desde que assumiu a maioria absoluta nos correntes processos de disputa da direção da UNE, o PCdoB opera um aparelhamento cada vez mais sistemático no sentido de mantê-la sempre devidamente submetida às suas intervenções e interesses dentro do ME.

Desse fator (o aparelhamento), a UNE sofreu três outros golpes sucessivos que colocam em xeque a sua representatividade.

Primeiro, a disputa ideológica necessária que devia ser encabeçada pela entidade para transformações reais dentro da juventude hegemonizada por valores do mundo capitalista, cada vez mais foi sendo substituída pelo ‘senso comum’ aplicado pela UJS. As teses apresentadas pelo PCdoB nos espaços da UNE há tempos não consegue fazer uma análise séria sobre a importância da luta estudantil por uma sociedade justa e igualitária que nunca poderá ser construída nos marcos do capitalismo. Disso, a intensificação da desmobilização dos estudantes foi a mais grave conseqüência.

O segundo golpe sofrido pela entidade veio depois da eleição de 2002, quando o aparelhamento da direção majoritária foi potencializado. Dessa vez para evitar ou impedir a construção de qualquer mobilização que se manifestasse mais criticamente a determinados erros cometidos pelo Governo Lula, visto que o PCdoB apóia e compõe este governo desde seu início. A atuação da UJS a partir daí dentro da UNE tornou-a ainda mais inoperante.

O último e mais recente golpe sofrido pela entidade maior representativa de nossa organização veio em parte como conseqüência da própria inoperância da entidade, em parte por uma avaliação equivocada de algumas forças políticas que, diante dessa inoperância, desistiram de lutar por uma UNE combativa e referenciada na base. Apostam agora numa alternativa por fora dela.

O equívoco histórico desses companheiros e companheiras não é de responsabilidade unicamente deles. Umas das grandes responsáveis pelo desencadeamento do divisionismo é a própria UJS.

Mas os setores que hoje tentam construir a chamada Conlute não compreendem que a solução para a reorganização estudantil está além da criação de uma nova direção. Se assim não fosse, esses setores já teriam conseguido alcançar alguma legitimidade entre aqueles e aquelas que negam ou não reconhecem a UNE. O que não aconteceu e não vai acontecer porque aqueles e aquelas estudantes que hoje não reconhecem a UNE, em sua esmagadora maioria também não reconhecem a Conlute, porque simplesmente não reconhecem a própria importância da luta e da organização em uma entidade combativa.

O problema do não ‘reconhecimento’ das entidades não se dá simplesmente porque suas direções são “pelegas”, ou porque não operam a luta. A base estudantil (e aqui entenda-se não somente a base estudantil organizada, mas também aquela que não se organiza) não tem perspectiva de mudança. Em sua grande maioria não ocupa nem as assembléias de seu curso, e muito menos acreditam numa articulação nacional que possa servir de instrumento de luta por uma educação pública e de qualidade.

Por outro lado, a UNE ainda tem potencial e base (ainda que despolitizada) para se tornar uma entidade comprometida com a luta. O PCdoB se utiliza do discurso vazio para obter ampla maioria e manter a entidade sob seu controle. Politizar as discussões e análises de conjuntura e disputar essa base de estudantes que hoje comparece às instâncias políticas da UNE unicamente para ir aos shows e levantar o crachá no último dia para as proposições da UJS tem que ser uma luta de todos os grupos críticos e cientes do difícil momento de desmobilização que passamos. Inclusive aqueles que hoje tentam construir a luta por fora.

O grupo ‘Atitude e Resistência’ acredita que não precisamos de novas direções. Precisamos solucionar nossos problemas pela base do movimento e conseguir reerguer aquela que sempre foi o instrumento de luta de cada estudante no país. A UNE somos nós. Nossa força, nossa voz.

ATITUDE e RESISTÊNCIA é Emily (2006), Carol, Dudu, Caio, Igor Costa, Elisa, Ediana, Michael, Andréia e Ipirá (2005), Rafael e Igor Almeida (2004), Gabriel (2003), Alex, Wesley, Daniel e Denise (2001)

sábado, 19 de maio de 2007

Sobre a UNE e o Salvador Card-2006

SALVADORCARD E UNE: UM DEBATE NECESSÁRIO


Já está bastante claro que o salvadorcard é um tremendo retrocesso, que ele vai de encontro aos interesses dos estudantes e que deve ser combatido na sua totalidade. Quando vemos o SETPS querendo aprontar novamente conosco, não nos surpreendemos, mas no momento em que ouvimos que uma entidade estudantil age contra os estudantes temos que ampliar as reflexões à respeito do que está acontecendo.

MAS, QUEM É A UNE MESMO?

Ao contrário do que se tenta difundir, a UNE não é um bloco homogêneo maligno ou algo parecido. A UNE é uma entidade, e como toda entidade, tem uma direcão,  que é formada por um ou mais grupos políticos. No caso da UNE, esta direcão é composta de forma proporcional, ou seja, os cargos são preenchidos por diversas chapas que disputaram as eleições proporcionalmente  ao numero de votos que elas receberam. O fato de ser proporcional não quer dizer que todos "apitam" lá dentro. Muito pelo contrario, há muitos anos que a UJS (juventude do PCdoB) tem obtido uma ampla maioria na direção  conseguindo "dar a linha" da UNE.

Dentro da própria executiva da UNE, existem grupos de oposição direta à direção majoritária, inclusive grupos que são radicalmente contra o salvadorcard. Trocando em mudos: direção é direção, entidade é entidade. Bater na entidade por algo que a sua direção faz não é lógico, principalmente quando não há uma homogeneidade nos grupos que a compõem. Os companheiros do PSTU sabem muito bem desta diferença entre entidade e direção, e quando eles gritam aos ventos palavras de ordem contra a entidade eles o fazem de forma consciente, além de ser completamente coerente com a sua estratégia e o projeto político que eles defendem. Vamos a eles então.

POR QUE "QUEIMAR" A UNE?

Ate pouco tempo atrás, os companheiros do PSTU faziam parte e legitimavam a UNE. O que mudou? Basicamente a sua análise de conjuntura, que apontou para uma diferente estratégia. O PSTU avalia hoje que a UNE  não só está indisputável, como também que a sua burocratização e o seu afastamento dos estudantes a impede de voltar a ser um instrumento de luta. Avaliam também que muitos estudantes estão descontentes com a UNE e que seria importante criar uma nova entidade para com eles formar uma nova ferramenta de luta.

Essa análise (e a estrategia de ação que ela orienta) são frutos de um tipo de concepção política dos companheiros do PSTU. Para eles. o processo que a UNE passa advém de uma crise de direção (apesar de não falarem sobre o existência de uma "direção" da UNE nos atos e nas assembleias) e que a UNE é indisputável. Ora, este pensamento é um tanto quanto simplista. Não se pode negar toda a contribuição da UJS na crise da UNE, mas a "crise" tem raízes muito mais profundas. A hegemonia do pensamento neoliberal atinge toda a população, que passa a não legitimar (e até mesmo rejeitar) não só as entidades, como também os partidos políticos e os governos. A questão não é de reconquistar a UNE, é a de reconquistar os estudantes, e é ai que o PSTU peca.

QUAL O PROBLEMA DESSA POSTURA?

Ao avaliar tudo como crise de direção, o PSTU deixa transparecer a sua concepção de movimento e de vanguarda, que por vezes se aproxima da concepção da UJS. O PSTU termina criando como efeito colateral de seus argumentos uma falsa dicotomia entre uma direçào pelega e uma base super radical. Ora, nem mesmo eles acreditam na existência dessa massa super-radical, se ela existisse a revolução já teria ocorrido há muito. Assim, o que se apreende da concepção deles é que a base do movimento é uma massa de manobra idiotizada e/ou alienada que a UJS usa na sua pelegagem. Assim, uma nova entidade com uma nova direçào "guiaria” os estudantes para uma atuação mais radical.

Ninguém vai negar que existe uma falta de informação profunda à maioria dos estudantes, sem contar que como os outros grupos políticos não fazem um trabalho de base real com eles, eles terminam achando que a UJS é o que há de mais à esquerda e combativo. É por isso que não adianta nada construir uma nova entidade, por mais radical e de luta que seja a sua direçào, se não for feito um forte trabalho de base com os estudantes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A nossa avaliação é de que os companheiros do PSTU estão jogando com a desinformação de boa parte das pessoas que estão participando das lutas contra o salvadorcard, aproveitando-se do vácuo de outros grupos políticos que não estão efetivamente presentes (a crítica a eles também deve ser feita). É óbvio que não são apenas eles que gritam contra a UNE, muitos falam mal da UNE de forma espontânea, mas no momento em que eles sabem a diferença entre direção e entidade e não o falam, contribuem para a despolitização.

O grupo que está na gestão atual da coordenação executiva do centro académico é radicalmente contra o salvadorcard. Em todos os sentidos. Não somos a favor de romper com a UNE também por uma questão de projeto polílico e visão de movimento, e continuamos participando da luta. É importante que todos lutem para barrar o salvadorcard, sem nunca deixar de aprofundar o debate.