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domingo, 22 de novembro de 2009

Luiza Mahin de Volta às Lutas do Povo Negro!


Todo dia é dia da consciência negra, porque todo dia é dia de lembrarmos das lutas, levantes, revoltas, fugas, resistências ou negociações dos negros escravos, livres e libertos, que encontraram uma maneira de brigar pela sua liberdade, de buscar na esperança e na garra, o orgulho de vencer preconceitos e racismos cotidianos. 

Dia 20 de novembro não é somente dia de lembrar Zumbi, mais de todos e todas, do passado e do presente, que fez e faz malabarismos em busca de oportunidades, de igualdade, de reconhecimento da sua própria identidade e pertencimento racial tão dissolvido dentro da mentalidade de democracia racial e mestiçagem ainda fortes em nossa sociedade.

Falar de consciência negra é falar de Luiza Mahin, mulher negra batalhadora que cujo o nome prestigia mais ainda o nosso Centro Acadêmico, que tem entre uma das funções a continuidade da luta pela liberdade, liberdade essa não mais aprisionada pelas algemas que machucam o corpo, mas algemas que agridem a alma e a mente.

E como não falar de consciência negra sem falar da importância do nosso CAHIS e dessa nova gestão que iniciamos. Ganhar a eleição do Luiza Mahin um dia antes do dia da consciência negra, para nós do ATITUDE E RESISTENCIA, além de ser muito simbólico para a própria proposta de nossa gestão, nos remete a fazer uma breve analise da importância do centro acadêmico, do curso e da nossa própria formação enquanto professores e bacharéis de história. 

Para nós, ganhar a eleição depois de dois anos sem gestão e ter como principal argumento da oposição e agora antiga gestão, a acusação de que nossa pauta política se resumia somente à questão racial, de mulheres e LGBT, ao contrário do que muitos pensam, é sinal de orgulho. Isso significa um reconhecimento muito grande, significa que temos cara e temos voz. Somos aquelas e aqueles que sempre assumimos e defendemos um posicionamento no curso, sem recuar e sem medo de receber as conseqüências por isso.


Falar do dia da consciência negra é defender sempre as cotas raciais, é defender o curso noturno, que tem como maioria dos estudantes negros e negras, que outrora teriam dificuldade de cursar história no diurno, pois deles dependem o sustento da família, homens e mulheres que precisam trabalhar e estudar ao mesmo tempo, não para angariar um pouco de dinheiro a mais, mas porque desse trabalho depende a sua própria condição de freqüentar ou não a faculdade. É a garantia de mulheres e homens negros, antes com mínimas chances de adentrarem a universidade pública diante da concorrência desleal com os alunos brancos e classe média das escolas particulares. 

Mais do que isso, é pensar que a maioria da população negra neste país tem baixíssimos índices de escolaridade se comparados com as crianças e adolescentes brancos, até mesmo os brancos pobres, que tem mais chance de ascensão social do que os negros, porque apesar de serem pobres, o mercado de trabalho os absorvem mais facilmente do que os negros, porque o racismo no Brasil se comporta de forma perversa e subjetiva. 

Falar da questão racial em nosso curso é falar sobre as mulheres negras que não querem estar sujeitas as mais sutis formas de sexismo prevalecentes no Brasil. Falar de consciência negra é reivindicar e defender uma historiografia que não utilize de argumentos segregacionistas para a manutenção de uma mentalidade escravista .

Pensar sobre consciência negra é reivindicar um currículo menos eurocêntrico ou no mínimos mais livre para que os estudantes construam suas disciplinas sem muita imposição das obrigatoriedades curriculares.

É um conhecimento maior em história da África e da própria Ásia. E principalmente, a garantia de uma formação em licenciatura correlata com as necessidades escolares, porque falar de negras e negros, mulheres, lésbicas, gays e todo tipo de liberdade da expressão de sua orientação sexual é estarmos exercitando no dia-a-dia, dentro da convivência universitária, o exercício e o conhecimento de respeito as diferenças, diferenças estas que estarão em sala de aula. 

Porque nenhum aluno negro deve ser privado de conhecer a história do seu povo, suas negociações e resistências cotidianas na busca da liberdade. Nenhuma mulher deve ser privada do domínio do próprio corpo e ser rechaçada por professores, colegas e toda sociedade em geral, nenhuma mulher deve ser violentada verbalmente e fisicamente. Nenhum homossexual deve ser violado no exercício da sua livre orientação sexual. 

É por tudo isso que nós do ATITUDE E RESISTENCIA temos muito orgulho de sermos classificados como aqueles e aquelas que reivindicam um movimento estudantil que não compactue com a mentalidade racista, machista e homofóbica, e que isso não seja defendido somente nas bonitas palavras proferidas pelos militantes estudantis, mas que estes se reflitam nos espaços acadêmicos, no currículo do nosso curso, na própria formação de nossos licenciados e bacharéis de História.

Emanuela dos Santos "Manu" é estudante de História de 2008, militante do Atitude & Resistência

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Eleições CAHis 2009- Atitude & Resistência - Chapa 1!!


Eis que começa mais uma eleição para o Centro Acadêmico de História Luiza Mahin, como não poderia deixar de ser, o grupo “Atitude e Resistência” se apresenta para este importante debate de idéias do nosso curso.

O “Atitude e Resistência” nasceu em 2002, fruto do esforço coletivo de vários calouros que decidiram reorganizar o Centro Acadêmico que não existia mais. Esse grupo foi responsável pela elaboração do estatuto do C.A., a recepção e realização da Semana de Calouras/os, a organização das primeiras delegações dos estudantes da UFBA para os encontros nacionais e regionais de História (ENEH’s e EREH’s).

A partir de então toda uma cultura de debate – e disputa – política se iniciaram no curso de História. Fizemos parte da Coordenação da FEMEH (Federação do Movimento Estudantil de História), organizamos o EREH 2007 em Salvador; demos início ao debate contra o machismo, o racismo e a homofobia, dentro e fora da Universidade e temos orgulho de termos participado do processo de aprovação do Programa de Ações Afirmativas da UFBA.

Também criamos vínculos de comunicação entre os estudantes, como o grupo de e-mails do curso; o jornal Artesanal, onde as discussões atuais e a opinião dos estudantes eram veiculadas; e o Circuladô, o nosso informativo semanal. Contemplamos o debate acadêmico, através da Semana de História e da construção do projeto da Revista de História, importante espaço de publicação da produção acadêmica discente e que vêm conquistando reconhecimento no decorrer das suas edições.

O Centro Acadêmico é antes de tudo um espaço político. O C.A., além de representar os estudantes, é onde estes discutem e se organizam politicamente. Sendo a representação de um dos vários setores organizados da universidade, o C.A. deve apresentar política a respeito de qual universidade nós queremos.


E isso não significa fazer assembléias a cada problema que surgir. O C.A. não pode ser apenas reativo, sendo pautado pelo governo, reitoria, etc. ele deve ser propositivo e para isso deve ter opinião formada.

Nesse sentido, é função do C.A. promover espaços de formulação e formação política para a entidade e para os estudantes. Para isso é fundamental que a gestão do CA tenha opinião, tenha cara, tenha identidade para dizer como estas discussões serão pautadas.

A Universidade que nós defendemos é aquela que dá acesso aos estudantes negros e cotistas, e é também a que garante a permanência destes estudantes. Para nós a Universidade deve ser um espaço onde as estruturas machistas não são reproduzidas, onde nós podemos andar livremente sem corrermos o risco de sofrer qualquer tipo de violência, seja ela moral, física ou sexual. A nossa Universidade deve ser um ambiente onde as lésbicas, gays e bissexuais podem expressar sua afetividade livremente, e que seja freqüentada por travestis e transexuais. Onde todos estes setores fazem parte do nosso currículo, da nossa produção acadêmica e dos nossos espaços de direção.

Estamos entre aqueles e aquelas que acreditam que a universidade deve ser socialmente referenciada; deve servir muito além dos seus muros, e que é fundamental nos articularmos com os movimentos sociais. Somente a partir daí, poderemos pensar na construção de uma outra hegemonia na sociedade.

Todas/os nós temos uma trajetória, a nossa foi marcada por muita luta e por várias transformações. Em 2005 passamos por uma primeira renovação, que deu ao grupo a face que tem hoje. Em 2009 é hora, mais uma vez, de renovar. A nossa chapa é a única composta por alunos de todas as turmas do curso desde 2005 até 2009. Somos também a única chapa que conta com estudantes da pós-graduação e do curso noturno. As mulheres são maioria na nossa chapa.

Isso é reflexo da nossa política diária de presença em todos os espaços do curso e principalmente de coerência com aquilo que defendemos. Para nós, não basta defender a ampliação de vagas na Universidade e a criação de cursos noturnos, é preciso estar ao lado desses estudantes, das suas dificuldades diárias e das suas bandeiras de luta. Essa prática não deve depender da presença nas entidades estudantis, nem tampouco ocorrer apenas no período eleitoral.

Esse ano nós do “Atitude e Resistência” chegamos às eleições do CAHis com energia renovada, certos de que já contribuímos muito para a nossa entidade, de que aprendemos com os nossos erros e acertos, e que estamos prontos para construir muito mais.


Bem vindas/os ao debate!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

22 de Abril...


Em 22 de Abril de 1500 Pedro Álvares Cabral batia cá nas praias baianas. Se foi achamento ou descobrimento, conquista ou invasão, por acaso ou intencionalmente, não pretendo discutir, deixemos para aula de História do Brasil I. O certo é que há quinhentos e nove anos começava uma história de exploração e massacre dos povos originais e os trazidos do continente do outro lado do Atlântico. É certo também que há quinhentos e nove anos começava para esses povos uma longa história de resistência.

Em 22 de Abril de 1998 o descendente direto dos mesmos senhores aos quais esses povos resistiam (e resistem) enterra seu filho no cemitério do Campo Santo. Dizem que nesse dia começava a definhar física e politicamente Antônio Carlos Magalhães, o que revelou ser grande vitória dos resistentes, tanto é que nove anos mais tarde beberíamos a morte do próprio.

Em 22 de Abril de 2002 há meio quilometro do mesmo cemitério, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas alguns calouros do curso de história, identificados com a história de luta daqueles e daquelas que resistiram à todos os senhores - seja os que desembarcam em praias baianas seja os que se enterram em campos santos – tomam atitude para reconstruir o movimento estudantil do curso. Nasce daí o Atitude e Resistência, junto com ele o Centro Acadêmico de História Luiza Mahin.

7 anos.

Com muita luta, atitude e resistência!

Parabéns à Anne, Carol Copque, Manu, , Itororó, Lorenzo, Paulo Roberto, Rafael Pedral, Tuk, Emily, Andréa, Caio, Carol, Dudu, Ediana, Elisa, Igor Costa, Ipirá, Kleydiane, Michael, Rafael Lins, Igor Almeida, Obede, Gabriel, Leonardo, Júlio, Vítor, Alex, Aline, Daniel, Denise, Flávia, Jan, Lacerda, Milena, Pedro, Wesley.

Parabéns a todos e todas que constroem e construíram a luta, fizeram e fazem a história!
ATITUDE & RESISTÊNCIA - 7 ANOS CONSTRUINDO A LUTA, FAZENDO A HISTÓRIA!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

muitos de nós+ alguns agregados bem vindos

6 Anos do Grupo Atitude e Resistência - Construindo a Luta, Fazendo a História



Em 2008, muita coisa anda fazendo aniversário. A imprensa, com fogos e confete, celebrou os 200 anos da chegada da família Real no Brasil. Bem menos lembrada, há 120 anos atrás, foi declarada a abolição da escravatura.

Nós, aqui no curso, também temos algo a comemorar. Em 22 de abril, completamos 6 anos da criação do grupo “Atitude e Resistência”. E com ele, o aniversário da refundação do Centro Acadêmico Luiza Mahin, que à época, ainda não tinha esse nome.

Este grupo começou a ser construído em 2002. Naqueles tempos, não existia uma gestão organizada do Centro Acadêmico (C.A.), não existia estatuto do curso, e principalmente, toda a cultura política de movimento estudantil aqui havia se perdido. Dessa forma, alguns calouros formaram uma chapa e conquistaram legitimidade para coordenar o C.A., pondo em prática um projeto de reconstrução do movimento estudantil do curso. Processo amadurecido nesses seis anos.

De certo, muita água já rolou debaixo dessa ponte. Participamos ao todo de quatro gestões (a ultima em 2006/2007) e duas Comissões provisórias. Vimos duas greves, várias ocupações de reitoria e movimentos de rua que pararam a cidade. Temos orgulho de dizer, que ontem lutamos pela aprovação das ações afirmativas na UFBA, e hoje lutamos pela permanência dos estudantes e a consolidação desse processo.

Estamos entre aqueles e aquelas que acreditam que a universidade deve ser socialmente referenciada; deve servir muito além dos seus muros, e que é fundamental nos articularmos com os movimentos sociais. Somente a partir daí, poderemos pensar na construção de uma outra hegemonia na sociedade.

Nesse sentido, São Lázaro deu avanços importantes nos últimos anos. A política de Combate às opressões que existe hoje no movimento estudantil da UFBA, sem dúvida, teve no Grupo “Atitude e Resistência” um de seus maiores aliados; enquanto Centro Acadêmico realizamos semanas de Orgulho Glbtt, de Consciência Negra e da Mulher; além de inúmeras intervenções dentro e fora da universidade em defesa destes setores.

Da mesma forma, o curso de História conseguiu várias vitórias em outros territórios. A política de comunicação diminuiu o espaço entre a entidade e os estudantes, graças às edições do nosso jornal Artesanal e do semanal Circuladô. Em 2006, construímos o São Lázaro em Movimento, um estado de mobilização permanente com intuito de lutar por uma melhor estrutura física na faculdade. Na área acadêmica, realizamos a “I Semana de História: reflexões sobre Historiografia, Teoria e Métodos da História”; também organizamos em Salvador o XIX EREH – N/Ne, o maior Encontro Regional de História dos últimos anos. É fato, em toda trajetória existem tropeços. Não fugimos deles, defendemos nossa memória assumindo erros e acertos. Mas resta em nós a certeza dos que lutaram, o orgulho de ter vivido.

Depois de tantas cicatrizes, podemos dizer que somos muito diferentes, todos aqueles que fundaram o grupo já se formaram - escolheram seus novos caminhos; muitos outros entraram, ressignificando dia-a-dia nossas experiências. Nunca esquecemos daquilo que fizemos - a autocrítica é a base que não nos deixa tirar os pés do chão. Mas ainda somos mesmos, goste ou não, lutamos pelas mesmas coisas, defendemos as mesmas lutas, não abdicaremos, um só instante, de incomodar quando tudo parece calmo, de desconfiar daquilo que é mais trivial. Bem, desejamos um grande abraço aos que fizeram a nossa História, aos que não desistiram. E para tod@s que ainda estão por vir, sejam bem vind@s, há ainda muito por fazer.

Atitude e Resistência é: Itororó, Lorenzo, Paulo Roberto, Rafael Pedral e Tuk (2007); Emily (2006); Andréa, Caio, Carol, Dudu, Ediana, Elisa, Igor Costa, Ipirá, Kleydiane, Michael e Rafael Lins (2005); Igor Almeida e Obede (2004); Gabriel e Leonardo (2003); Júlio e Vítor (2002); Alex, Aline, Daniel, Denise, Flávia, Jan, Lacerda, Milena, Pedro e Wesley (2001).

sexta-feira, 21 de março de 2008

Boas Vindas e vamos em frente.


Calouros e Calouras!!!

Eis que vem o dia da Matricula! A cerimônia do fim dessa longa jornada tortuosa e o inicio de um novo ciclo, cheio de surpresas e novos desafio. O próximo período é o da euforia, da descoberta de colegas que muitas vez se tornam amigos pra uma vida inteira. Trocar experiências, conhecer os veteranos, conhecer o curso, conhecer pessoas de outros cursos, mas principalmente se conhecer.

Todos que aqui estão com seus documentos pra fazer esse ritual têm seu mérito e sua vitoriosa Historia pessoal, mas grandes poderes trazem responsabilidades de tamanho igual, sendo esta uma universidade publica, é ainda privilegio de poucos, esperamos que o compromisso que vocês tenham seja não só com a UFBA, mas para além dos muros que a cercam.

A Universidade tem passado por processos de mudanças importantes, e nós, estudantes, somos protagonistas importantes nesse processo, somos nós que trazemos a novidade para estas velhas estruturas, somos quem questionamos o velho, somos aqueles que dizem o que deve ser mudado.

È pensando nisso que construímos um grupo político e passamos á atuar no curso de História, para tentar mudar o que nos incomoda, lutar por uma Universidade emancipadora, mais justa, com garantia da assistência estudantil, restaurante universitário, biblioteca funcionando em período integral, e outras estruturas que garantam a permanência dos alunos, é fundamental permitir que o estudante possa usufruir deste mundo que é a Universidade. Lutamos por uma instituição de ensino onde a sociedade esteja representada no seu corpo docente, discente, técnicos administrativos, e também no currículo, um lugar em que todos tenham as mesmas oportunidades. Uma Universidade aberta e viva no dialogo constante com a comunidade que a circunda e com os movimentos sociais, que discutam questões centrais como a opressão contra as Mulheres, a Reparação Racial, a Diversidade sexual ou seja, uma Universidade Democrática e Popular.

Sejam bem vindos
Saudações!!

ATITUDE e RESISTENCIA.
http://atituderesistencia.blogspot.com/

sábado, 19 de maio de 2007

Apresentação-2006

“ATITUDE E RESISTÊNCIA”

    O campo “Atitude e Resistência” é um grupo da esquerda do curso de História da UFBA e que hoje ocupa a Coordenação Executiva do Centro Acadêmico Luiza Mahin. Nossa militância teve início ainda em 2002, quando estudantes ainda calouros decidiram por organizar uma chapa e concorrer ao Centro Acadêmico. Naqueles tempos, o curso se encontrava bastante desmobilizado, no CA restavam como referência apenas dois estudantes já próximos da formatura, tentando incentivar a participação dos alunos na política estudantil. Nesse contexto, organizava-se o “Atitude e Resistência”, formado exclusivamente por estudantes recém-ingressos na Universidade, que, inscrito como chapa única, conquistou o direito de coordenar o C.A. e iniciou assim um projeto de reconstrução do movimento estudantil de História.

     Aquela primeira gestão cumpriu com sucesso todas as propostas a que se dispôs. Numa entidade em reconstrução, a simples existência de um grupo organizado que possa responder por ela já supriria as expectativas para um primeiro ano. Mesmo assim, o grupo atuou de forma bastante incisiva e consciente em importantes discussões que se processavam na sociedade brasileira, como por exemplo, a eleição presidencial de 2002, a ALCA e a política de ações-afirmativas para negros nas Universidades.

     Não obstante a inexperiência, aquela gestão foi conquistando respeito frente aos estudantes e credibilidade suficiente para enfrentar o maior desafio para um curso em fase de amadurecimento: aprovar o estatuto do Centro Acadêmico, algo fundamental para qualquer entidade. Para conseguir tal objetivo, foi formada uma Comissão Gestora (2003/2004) tirada em assembléia por auto-indicação que após nove meses (um verdadeiro parto) de assembléias, debates, brigas e discussões teve seu esforço recompensado com um dos mais avançados estatutos do Movimento Estudantil da Ufba e que ainda hoje é referência para CA’s e DA’s de todo país.

     Em 2004, chegava a hora de mais um processo eleitoral. Agora não mais uma chapa única, dessa vez dois projetos iriam se confrontar nas eleições. E o resultado não poderia ser mais disputado, 49x46, mostrando como os discentes de história estavam cada vez mais amadurecidos e seriam mais criteriosos nas suas escolhas. Nessa gestão, ocorrida em um ambiente de discussões políticas mais acirradas, o grupo sempre esteve presente em questões chaves da UFBA. As discussões e a aprovação da política de cotas e a greve de estudantes e professores foram alguns dos principais temas que movimentaram o grupo nesse período. Além disso, o grupo consolidava, neste momento, uma nova forma de fazer política estudantil , valorizando o diálogo, o combate ao vanguardismo e fortalecendo lutas para tornar a universidade muito mais aberta às pluralidades presentes em nossa sociedade.

     Depois dessa segunda gestão que atravessou uma série de greves, o nosso calendário ficou comprometido, por conta disso, outra comissão gestora, no primeiro semestre de 2005 foi necessária para a reorganização do calendário. A partir desse momento iniciara uma nova fase no grupo “Atitude e Resistência”. Aqueles “dinossauros” que construíram o grupo estavam prestes a se formar, e assim uma renovação do grupo foi necessária. E dessa forma aconteceu, com uma chapa recheada de novos nomes, o “Atitude e Resistência” entrou na disputa, apresentou um programa sério aos estudantes e assim foi eleito por ampla vantagem de votos (88 a 40). O resultado desse processo repercutiu decisivamente no caminho tomado pelos campos do movimento estudantil no curso.

     Alguns militantes que tradicionalmente compunham a oposição ao Centro Acadêmico, hoje já não atuam mais. Certamente outras pessoas aparecerão, contudo seria impossível pensar numa reprodução dos mesmos equívocos cometidos durante todo o ano de 2005. Ao menos um programa de gestão mais trabalhado e um tanto de coerência nos posicionamentos são o mínimo que os estudantes de História merecem desta vez.

ATUAL CONJUNTURA DO CURSO

    O ano de 2006 tem tudo para ser um dos mais interessantes da história recente do ME de História. Mas certamente esse movimento tão dinâmico não foi construído por acaso. Ele é conseqüência de um conjunto de fatores que convergiram nesse momento e apontam para uma maior politização do curso.

     Vale lembrar que nesse ano teremos eleições para Presidente. Sem dúvida, período eleitoral aquece ainda mais o debate nos movimentos sociais. Sobretudo quando a esquerda se divide e apresenta duas chapas para eleição majoritária . Talvez em 2002 a conjuntura fosse diferente, a eleição de Lula derrotando oito anos de governo FHC apontava para um caminho mais fácil para a esquerda . Alguns certamente viam tal situação como um caminho sem volta, enfim estaria em vigor um projeto de esquerda. Mas isso ainda não aconteceu, tornando 2006 um ano ainda mais capital para a esquerda socialista.

     Outro fator significante foi a entrada dos alunos cotistas. A nossa universidade deu um passo definitivo quando aprovou o sistema de cotas. Todos os debates sobre assistência estudantil, inclusão de negros e negras na sociedade, nos ofereceram uma universidade mais responsável ou na necessidade de sê-lo. Em História , a presença desses estudantes só favoreceu ao movimento. Esse dado é importante para lembrarmos o quanto os departamentos CA’s e DCE’s devem estar atentos para a alteração no corpo estudantil da UFBA, que devem mais do que nunca, agir numa perspectiva de mudança social.

     Com o intuito de atender as expectativas dos estudantes de História que o “Atitude e Resistência” decidiu por lançar esse conjunto de documentos expondo o que acreditamos por movimento estudantil e de que forma temos atuado no M.E. de história enquanto Coordenação Executiva do Centro Acadêmico ou comissão gestora. Acreditamos que a forma de condução da nossa política, contribuiu para essa interessante conjuntura no curso. Sempre optamos por colocar diversas forças nas mesas que realizamos, estabelecemos discussões importantes nos jornais e ocupando o maior número de espaços que uma entidade de base pode ocupar, dessa forma ampliando nossa esfera de atuação para responder devidamente a nova dinâmica do movimento. Dessa forma, nossa luta tem sido por uma participação massiva e com qualidade dos estudantes. Não confiaremos mais nos discursos iluminados revolucionários, não somos porta-voz de ninguém, nem queremos base para supermilitantes; acreditamos nas bandeiras de luta conjuntas e, nas divergências, a disputa aprofundada de idéias e programas.

domingo, 13 de maio de 2007

Histórico-2005


E a luta não pára...

Chovia na tarde daquele dia... Éramos onze recrém ingressos na universidade, e ainda nos norteando naqueles novos espaços. Alguns de nós decidimos, dias antes, em conversa informal, porém esperançosa, formar uma chapa para concorrer e ocupar(literalmente) o Centro Académico do curso de história. Sua j simples sala encontrava-se vazia e os membros da chapa anterior se desarticularam por completo, sobrando apenas dois. Mais tarde, nos serviram de apresentadores do nosso novo espaço.

Mas voltemos àqueles que desejavam preencher o centro académico. Concluíram, após longas conversas, que queriam formar uma chapa e foram convidando mais alguns, utilizando como parâmetros para esta escolha referências muito próprias daquele momento histórico, por assim dizer. Quase todas aquelas garotas e rapazes eram inexperientes em entidades representativas, ainda se entendendo ( e aproximando) ao político espaço da universidade. Não possuíam nenhum currículo prévio de militância, nem uma definição clara daquilo que queriam fazer. Mas um sentimento nos unia, além da amizade: a vontade de mudar o cenário de completa falta de referência de movimento estudantil no curso, de uma entidade capaz minimamente de poder dizer "eu existo".

Assim aglutinados, ocupamos o espaço do CA e organizamos uma Van para o EREH daquele ano (2002). Ainda não éramos gestão, mas estudantes em movimento. Deste momento em diante não paramos mais. Fizemos, logo após, um pleito eleitoral de verdade e então pudemos nos empossar democraticamente (numa assepsia bem própria da palavra). Era dia vinte dois dei abril de 2002. A gestão "fazendo a história acontecer", nome duramente  escolhido entre "sua participação muda a história", que até hoje não sabemos exatamente o por que escolhemos o primeiro, começava sua história.

Cumprimos naquele ano tudo a que nos propusemos e ainda ganhamos, e isso achamos que sempre se ganha, muita experiência de vida e de UFBA. Das realizações da gestão, há uma que merece crédito maior. Ainda no tempo da apresentação dos nossos veteranos ao CA, fomos incitados a fazer uma tarefa, que segundo palavras do antigo membro, era uma tarefa que, se realizada, "estaria [a gestão] de bom tamanho, ou melhor, ótimo tamanho...(risos)"... Era o Estatuto, corpo regimental que dá ordem a entidade. Mas não é que fizemos?!! Mas nesse fazer, podemos até reclamar ao gênero feminino a exclusividade de parir alguma coisa. Foram nove árduos meses. Nesse processo realizamos inúmeras assembleias, as quase famigeradas "assembleias estatuintes". Foi tanto trabalho, que findado o dia 22 de abril de 2003, ou seja, um ano depois, era preciso ainda muitas assembléias para termina-lo. Decidimos, então, continuar como uma comissão gestora, com fim exclusivo de terminar o futuro, rebento, e poder dai realizar uma nova eleição. Lá se foram mais assembleias, com direito a tensões, sorrisos e muitas "gulozinhas", bolachas "poka-zoio" e vinho na derradeira. E terminamos. Era possível fazer uma nova eleição.

Mas o mundo São Lazarino, e por que não do curso, mudou muito nesse tempo. Tínhamos recepcionado duas turmas de calouros (foram mais duas turmas depois). Mostramos que aquele curso possuía entidade e que essa referencia já não mais podia ser de fato ignorada. O curso tinha ganhado, e contribuímos muito para isto, uma outra dinâmica de movimentação estudantil.

Mas nem tudo foram flores para aquelas garotas e rapazes reunidos em 2002. Alguns dos seus membros, por forças maiores, tomaram uma postura diferente daquela que nos mantinha unidos. Pensavam o movimento, e isso se refletia nas suas ações e práticas, de forma diversa em muitos pontos daquele grupo que se formara. Preferiram sair, montar uma outra chapa. Os que permaneceram, decidiram tentar montar uma chapa no intuito de continuar a prática e incluir novos projetos para o curso. Passada a eleição, nos sagramos Coordenação Executiva do CA por mais um ano. Foi uma gestão conturbada e perpassada por uma greve de quase quatro meses. Um ano letivo de atuação política e acadêmica em tempos de Reforma Universitária, greve de estudantes, amor ou ódio à Partidos políticos, crise no DCE e construção do Congresso da UFBa.

Os novos membros decidiram se somar por construírem uma percepção, e isso vale para todo estudante, que naquele grupo havia um projeto de movimentação estudantil, de prática cotidiana, uma postura frente ao curso, de diálogo e compreensão da alteridade, entre causas e gasto de energia por lutas essenciais como a garantia da Universidade pública e de qualidade. É um aspecto que transcende a qualquer tentativa de controle dos membros da chapa, e desmonta aqueles partidários ou anti-partidários da política de canto, ou eufemicamente chamada 'política de convencimento', baseada em inflamados discursos ao pé do ouvido (e pouca prática). A construção dessa percepção, que ao nosso ver, alicerçou nossas gestões, permanece e tende a permanecer. Não é gratuita e pairando num mundo das ideias, pois reflete uma prática de movimento estudantil preservada por nosso grupo.

     Não queremos, é bom deixar claro, nos mostrar como depositários do que há de melhor, do modelo ideal de movimentação estudantil. Contudo, nos orgulhamos daquilo que construímos e ainda pretendemos construir. O grupo, que é produtor e resultado dessa prática, e possuidor de uma visão (no sentido amplo) de universidade, permanece com seus membros, e como já afirmamos, somando-se sempre a novos. Tal qual foi na ultima gestão, esse processo de renovação é constante e necessário uma vez que novos membros trazem novas e oportunas contribuições. Desta forma, para aqueles que, com sua participação mudaram a história do curso e agora seguiram outros rumos, se despedem com a sensação de contribuição para a construção daquilo que entendemos uma Universidade mais digna e humana. E para os(as) novos(as), sejam bem vindos(as) e boa Luta.

Documento oficial tio Grupo Atitude e Resistência Gestão "Fazendo a História acontecer..." e "Pra continuar fazendo a
História acontecer..."
Daniel, Wesley, Denise, Aline, Pedro, Flávia, Alex, Lacerda (2001), Vitor, Júlio (2002). Gabriel. Leonardo (2003)