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domingo, 15 de novembro de 2009

Eleições CAHis 2009 - Universidade Nova: Universidade Popular?


2010 é ano de eleições para o novo reitorado da UFBA. O CAHis deverá incidir nessa disputa pautando a inversão de prioridades que a atual reitoria vem adotando na UFBA, colocando a Assistência Estudantil, a democracia interna, paridade nas eleições e a autonomia financeira, didático, científica e administrativa da universidade no centro do debate, no sentido de abrir um novo período de real democratização da Universidade, garantindo permanência, e a produção de conhecimento voltada para os interesses das classes populares, e não das grandes empresas financiadoras.

O CAHis precisa voltar a ter uma posição protagonista no movimento estudantil, disputando e construindo o DCE, se integrando às pautas comuns da UFBA, principalmente no que diz respeito a nosso maior desafio hoje: a implementação de uma política estrutural de Assistência Estudantil.

A Assistência Estudantil não pode ser encarada como um favor da Universidade prestado àqueles que precisam, e sim como uma política estruturante que perpasse por todos os aspectos da vida universitária, garantindo condições de sua permanência até o final do curso, oferecendo moradia, alimentação, saúde (física e mental), transporte, creche para as mães estudantes, condições básicas para atender os portadores de necessidades especiais; condições iguais de bom desempenho acadêmico fornecendo bolsas, estágios remunerados, ensino de línguas e informática, acompanhamento psico-pedagógico; fomentando a participação político-acadêmica; e democratizando o acesso à cultura, lazer, esporte e informação pertinentes a juventude como orientação profissional, informações sobre mercado de trabalho, sobre drogas, sexualidade, meio ambiente, política, ética, cidadania, etc.

É preciso termos em mente, no entanto, que nada disso nos será dado de graça. O impasse na abertura do RU simboliza a falta de vontade e de compreensão política da administração central frente a uma demanda que só tende a aumentar.

Da mesma forma a política de substituição das moradias estudantis por bolsa tipo 2, diz o tom do projeto político que está sendo implementado na UFBA. Assim como a conquista das cotas, que democratizou o acesso à Universidade, é somente com muita luta e organização que poderemos mudar a cara da nossa Universidade. Trazer as/os estudantes residentes, cotistas, e bolsistas para o movimento é fundamental para fortalecer qualitativamente o movimento, é por ter essa compreensão que nossa chapa tem militantes residentes, sendo uma mulher e um estudante do curso noturno. Essa é a hora, e esta é a geração que protagonizará a nossa luta por uma Universidade Democrática e Popular!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Universidade e crise capitalista: a possibilidade de uma janela histórica


Há cinqüenta anos a universidade pública brasileira tenta se equilibrar sobre o desenvolvimento de uma das contradições mais importantes de sua história. A reivindicação da autonomia na definição de seus valores e objetivos se choca com a submissão a critérios de eficácia e produtividade de origem empresarial ou de responsabilidade social. Da dificuldade de resolver profundamente esta tensão, eclode em suas relações internas e externas uma crise institucional, que monopoliza as atenções e os propósitos reformistas e que coloca em cheque a universidade e seus serviços enquanto um inequívoco bem público.


A origem desta crise se dá no fim da década de sessenta, quando o endividamento externo resultante do processo expansionista de industrialização, reduziu o compromisso político do Estado com universidade, diminuindo sua prioridade nas políticas públicas e conduzindo-a a uma imediata secagem financeira e descapitalização. A conseqüência destes fatores, produto da concepção política do regime militar, levou, além de a um controle político da autonomia universitária, visando eliminar a produção e a divulgação de conhecimento crítico, à abertura da universidade ao setor privado nacional e internacional. As intenções do projeto de Reforma Universitária de 1968 estavam justamente na busca pela reestruturação e reorganização da universidade em par com a tentativa de inserção do Brasil no capitalismo associado-dependente. 



Esta situação se intensificou durante toda a década de 70 e, depois da crise do milagre econômico brasileiro, cujo efeito se tornou muito grave a partir de 1981-1983, com a dívida externa, as elevadas taxas de inflação e com uma profunda crise do Estado, a universidade passava por uma estagnação sem precedentes e caminhava, junto ao país, pela frustrante “década perdida”. No período de transição da ditadura à democracia, a busca e a afirmação da autonomia se conjugavam com a privatização e a crise financeira da universidade, tornando o grito pela liberdade invocado para justificar a adaptação às exigências da economia e a procura por novas dependências financeiras, sem dúvida, muito mais caras à instituição do que a dependência ao Estado. Era o período em que o neoliberalismo começava a se impor enquanto modelo de desenvolvimento econômico internacional. 


Na década de 90, outras duas crises mais antigas da universidade passaram a se concentrar sobre a crise institucional: a crise de legitimidade e a crise de hegemonia. A primeira gerada pela tensão entre a hierarquização dos saberes especializados por causa do acesso restrito e a reivindicação social e política à democratização e à igualdade de oportunidades, e a segunda gerada a partir da necessidade da sociedade em procurar e em exigir meios alternativos ao Estado para suprir a carência de novas possibilidades de formação, deixando de ser, a universidade, o único centro produtor de saberes. 


Sobre a crise de legitimidade, seu agravamento foi resultado de uma perda geral de prioridade das políticas sociais mantidas pelo Estado induzida pelo modelo econômico neoliberal. Foi a partir da imposição deste modelo que surgiu a idéia de que os problemas da universidade pública eram irremediáveis e que para solucionar todas as crises era necessária sua abertura ao mercado.. O resultado deste pensamento foi o desenvolvimento violento de um mercado de ensino altamente desregulado e a transferência de recursos humanos da universidade pública para o setor privado. 


Estava dada a mercadorização da universidade pública, que consistia em induzi-la a enfrentar a crise financeira gerando receitas próprias através de parcerias com o capital, privatizando parte dos serviços que presta, depois se transformando numa entidade que produz a si mesma como mercadoria. Isto ocorreu de duas formas: foi nesta década que se expandiu e se consolidou o mercado da educação a nível nacional e depois emergiu o mercado internacional, com lógica exclusivamente mercantil, defendido e levado a cabo como solução de todos os problemas da educação superior pelo Banco Mundial e pela Organização Mundial do Comércio. Em relatório produzido em 2002, o Banco Mundial diz que para o Brasil o projeto educacional deveria priorizar a ampliação do mercado universitário, combinando a redução de custos por estudante e eliminando a gratuidade do ensino público. Obedecendo a este plano, o governo FHC viabiliza uma linha de financiamento de cerca de R$ 750 milhões para instituições de ensino superior através do BNDES com recursos oriundos do Banco Mundial, onde a grande maioria dos recursos seria investida em instituições privadas. 


Este projeto político-educacional que estava em curso, visava tirar a universidade da construção de um projeto de país e da produção de pensamento crítico e de longo prazo, tornando-a definitivamente vazia de preocupações humanistas e culturais. Não se teria mais acesso a universidade por meio da cidadania, mas através consumo. A educação não seria mais um direito e sim um produto. Estaria centrada agora no indivíduo e em pretensões individuais e não em interesses coletivos. As lutas pela democratização radical da universidade seriam abrandadas, a universidade formaria uma massa técnica, mantenedora do status quo. Não seria um possível obstáculo à expansão do capitalismo global. Estaria incapacitada para questionar a si própria. Para contrapor este modelo, seria necessária a construção de um novo projeto de nação, com pretensões tão amplas quanto o neoliberal, porém ideologicamente contrário, prezando pela cooperação e respeito à soberania entre os países e não por uma relação colonialista. 


Nesta primeira década, o século XXI traz fatos políticos e econômicos que podem apontar para uma possível nova etapa histórica para a universidade no país. As políticas implementadas a partir de 2005 somadas à crise do capitalismo global centrado no neoliberalismo que eclode em 2008, podem indicar a abertura de uma janela histórica, de retomada das lutas em torno da solução da crise de legitimidade e da crise institucional da universidade pública. A democratização do acesso através das cotas e da ampliação de vagas, com investimento financeiro, social e político do Estado pode reconstruir, assegurar e concretizar a universidade enquanto um direito social e ser a oportunidade para um processo de universalização, absorvendo membro de classes populares historicamente excluídas e criando um sentimento de anti-privatização. Estes mecanismos aliados a uma política de permanência podem reduzir cada vez mais a estratificação social internamente e garantir o pleno direito à vivência do ensino, da pesquisa e da extensão com igualdade de meios. O investimento e valorização da carreira docente e técnico-administrativo e a realização de concursos públicos para estes setores precisam acompanhar as atuais demandas por ampliação. 


A reorientação dos currículos do ensino médio e fundamental públicos precisa estar diretamente articulada com o ensino público superior. Uma nova forma de acesso para além do vestibular é necessária, mas também é necessária a valorização pública deste setor, se não todas as tentativas de democratização do ensino superior serão inócuas. 


O retorno à discussão sobre a autonomia da universidade se faz absolutamente necessário, não apenas a partir da autonomia nos contratos de gestão, mas uma autonomia profunda, que dê à universidade direito e poder de definir os rumos de suas pesquisas, da formação acadêmica e da docência.. A autodeterminação das políticas acadêmicas, dos projetos e metas das instituições universitárias e da condução administrativa, financeira e patrimonial só terão sentido se forem aliadas à transparência e participação democrática de todos os seus setores e de representantes da comunidade em todas as suas decisões. Os orçamentos também precisam ser debatidos, segundo o modelo do orçamento participativo. 


A reforma que tem se efetuado nos últimos cinco anos sobre a universidade brasileira, com a política de ações afirmativas, de reestruturação e expansão das universidades, a necessária e estruturante política de permanência que precisa ser desenvolvida, o novo vestibular e o incentivo ao alcance da tão sonhada autonomia, precisa estar inserida na construção de um projeto democrático e popular para o país e concatenada ao desenvolvimento de uma nova política que tenha como objetivo a soberania dos povos. A crise no neoliberalismo abre chance para uma reconstrução do Estado numa perspectiva democrática e a conjuntura política atual da América Latina torna possível a construção de um mundo multipolar, a partir dos avanços da integração regional que ainda não incidiu sobre a reforma necessária para as universidades latino-americanas. 



Outras reflexões em SANTOS, Boaventura S (2005). A Universidade no século XXI – Para uma reforma democrática e emancipatória da universidade. Coleção questões da nossa época. Volume 120. 2ª Edição. São Paulo: Cortez e em CHAUÍ, Marilena (2003). “A universidade pública sob nova perspectiva”. Conferência de abertura da 26ª reunião anual da ANPED. Poços de Caldas, 5 de Outubro de 2003. 


Poliana Rebouças é estudante de Saúde Coletiva, militante da quilombo e diretora do DCE-UFBA

sexta-feira, 21 de março de 2008

Sobre o Reuni

ATITUDE & RESISTÊNCIA CHAPA 1 Eleições2007
Construindo a Luta, Fazendo a História

Na defesa da universidade pública brasileira

A luta política em torno do projeto de universidade tem se acirrado desde o lançamento do decreto 6.096, de abril deste ano, REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais). Se por um lado, percebemos os interesses conservadores utilizar-se do programa para seus projetos de precarização do ensino e formação de mão-de-obra barata para o mercado, do outro está a confusão dos que utilizam-se do programa para fazer palanque político de interesses partidários para obstruir quaisquer projeto que não sejam os seus – é o que tem causado enorme dificuldade em compreender cada ponto do programa e gerado afirmações equivocadas e superficiais. Esses discursos não tem conseguido atrair a comunidade universitária para rediscutir o seu projeto de universidade, promover um diagnóstico responsável sobre cada necessidade de cada IFES (Instituição Federal de Ensino Superior) e aproveitar a conjuntura para incorporar um debate propositivo dentro das universidades. As situações de enfretamento, sobretudo do setor estudantil, decorrem da própria necessidade de se ampliar o debate sobre quaisquer projetos de mudança na universidade e instrumento de afirmação de bandeiras históricas dentro destes.

Nossa bandeira histórica de expansão de vagas nas universidades públicas precisa ser reafirmada, na luta por reformas estruturais no ensino superior público. O movimento estudantil deve retomar uma postura propositiva no debate da educação, que erga a bandeira da universidade popular, com nossas demandas históricas e afirmação de um projeto indissociável das demandas dos movimentos sociais.

O REUNI, por si só, é insuficiente para as necessidades que a educação superior no Brasil apresenta. Além do mais, o movimento estudantil deve manter a sua postura de criticidade e combatividade em relação a ausência de diálogo com o movimento educacional na elaboração do programa e o estabelecimento de prazos que limitam a possibilidade de um diagnóstico preciso, limitam o nosso poder de intervenção no processo dentro das universidades e tem promovido adesões mal formuladas e projetos que de fato, precarizam o ensino superior, como é o caso das diplomações intermediárias (como o Bacharelado Interdisciplinar).

O movimento estudantil deve continuar se mobilizando, combatendo a reforma conservadora e precarizada da universidade, na ocupação de reitorias, no enfrentamento nas ruas, reafirmando nossas bandeiras, na defesa radical da universidade pública.

O grupo Atitude e Resistência tem a avaliação de que apesar de apresentar avanços em relação às últimas propostas de reformulação do ensino superior, o REUNI não dá conta por si só de imprimir um novo modelo de expansão da universidade que garanta a expansão de vagas com a garantia da qualidade de ensino. As metas de 90% de conclusão e da relação professor aluno para 1/18 devem ser questionadas. A expansão da universidade pública não pode estar vinculada a tais metas, quando estas não partem de um diagnóstico responsável da necessidade e potencialidade de cada IFES.

Devemos afirmar as nossas pautas históricas dentro de qualquer projeto de reformulação da universidade: indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, assistência estudantil como política estruturante, mais verbas públicas para as universidades públicas, democratização do acesso, fim do vestibular. O movimento estudantil precisa ser elemento ativo no processo de reformulação da universidade. Por isso, devemos exigir que se estenda os prazos para melhor discussão do programa, articulação do movimento educacional para intervenção no programa, maior possibilidade de um debate profundo dentro das universidades, que repensem a educação superior brasileira.

O REUNI prevê o investimento de 7,2bilhões de reais para financiar os planos apresentados pelas universidades, aprovadas em seus próprios conselhos superiores. Deste montante, 2bi seriam para investimento e custeio (compra de equipamentos, construção e reformas de prédios) e 5,2bi para contratação de pessoal e despesas adicionais que sejam previstas nos projetos. O investimento será alocado na decorrência de cinco anos, que é o prazo apresentado para a finalização do projeto. Ao final do prazo, a UFBA receberá aproximadamente 280milhões a mais. Mas o que a verba garante?

Se por um lado, temos um investimento na educação pública, este vem atrelado a metas que não respondem a possibilidade das universidades, exigindo-se uma expansão de vagas da ordem de 50%, sem garantia de garantia de qualidade na docência, já que o programa apresenta a possibilidade de contratação de docentes com carga horária reduzida, sem afirmar uma reformulação estrutural das ações de assistência estudantil, e abre a possibilidade de reformulações curriculares que precarizem a qualidade do ensino.

O significado de cada ocupação de reitoria que hoje se estende em algumas universidades do Brasil reflete o acirramento no debate sobre projeto de educação superior. Neste cenário, o movimento estudantil mostra-se mais uma vez como o setor mais combativo, na afirmação de suas bandeiras e na ofensiva contra as forças conservadoras dentro das universidades. Na UFBA, a ocupação já dura 39 dias. O grupo Atitude e Resistência compreendendo a importância de unificar o movimento estudantil e impedir a adesão da UFBA ao REUNI, em um processo ilegítimo, ilegal e autoritário da reitoria, vem construindo a ocupação desde a assembléia do dia 18, quando o movimento estudantil da UFBA tirou a sua pauta política de ser contra o REUNI e estabeleceu como fato político de enfrentamento a ocupação da reitoria (reconhecendo como legítima a ocupação anterior). O acúmulo de força social suficiente para enfrentar a reitoria e os demais setores conservadores da universidade e apresentar a pauta do movimento estudantil só nos será permitida através da unidade do movimento, denunciando os setores que tem atuado contra o movimento estudantil, operando pelo divisionismo, deslegitimando as entidades de forma oportunista, da compreensão que as entidades estudantis tem papel fundamental no diálogo com o corpo estudantil e na mobilização da universidade em torno da rediscussão de seu projeto de educação.


ATITUDE & RESISTÊNCIA CHAPA 1
Construindo a Luta, Fazendo a História



Atitude e Resistência: Construindo a luta, fazendo a história. CHAPA 1.
Itororó, Lorenzo, Marcelo Tuk, Rafael Pedral, Paulo Roberto (2007), Emily (2006),Dudu, Carol, Ediana, Kleidiane, Ipirá e Caio (2005), e Gabriel (2003)