segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A direita sempre hipócrita e a esquerda buscando caminhos



Olavo B. Carneiro e Rodrigo Cesar

"Agora refundamos a Bolívia (...), aqui termina o Estado colonial, acabou o colonialismo interno e externo. Graças à consciência do povo boliviano, acabou o latifúndio e os latifundiários".

Discurso de Evo Morales no balcão do palácio presidencial, na praça de Armas de La Paz, após vitória no referendo constitucional.

No dia 25 de janeiro de 2009 a Bolívia realizou um referendo popular sobre a nova Constituição. Tendo ocorrido em nove departamentos (estados) do país e de comum acordo entre governo e oposição, o "sim" ao novo texto constitucional, defendido pelo governo Evo Morales, recebeu 61,43% dos votos e foi vitorioso em cinco departamentos.

Agora, depois da partida jogada com regras aceitas pelos dois lados, a direita boliviana defende o "desacato" ao referendo aprovado pela maioria da população, que aprovou, entre outras medidas, o limite de propriedade de terra em 5.000 hectares.

"Desacato, desacato, desacato!", convocou a prefeita (governadora) indígena Cuéllar, discursando no balcão da prefeitura de Chuquisaca, na praça de Armas da cidade de Sucre, feudo da oposição, onde milhares de pessoas se reuniram para festejar a vitória do "não" neste departamento. Ao mesmo tempo, na cidade de Santa Cruz, o governador Rubén Costas, considerado o líder nacional da oposição, disse a uma multidão que "o 'não' triunfou porque o projeto queria nos dividir e confrontar os bolivianos". Enquanto os presentes o aplaudiam, Costas destacou que nos departamentos opositores venceu

"o espírito democrático, para enviar uma mensagem clara, de que somos centenas de milhares de bolivianos do oriente e do ocidente, do norte e do sul, como uma imensa rejeição ao projeto que emana do abuso e da ilegalidade".

Importante lembrarmos que essa postura golpista da direita não vem de agora nem é caso isolado do nosso país vizinho. Sem precisar ir muito longe – no tempo e no espaço –, temos os golpes de Estado promovidos pelos militares e apoiados pelos EUA na América Latina no período de três ou quatro décadas atrás.

Já nos anos recentes temos as continuadas tentativas de derrubar os governos populares na Venezuela, Bolívia e, com contornos distintos, no Brasil em 2005. Essas tentativas foram em boa medida impedidas pelo apoio popular aos governos e pela atuação das organizações dos trabalhadores e excluídos: associações, sindicatos, movimentos populares, entidades estudantis, partidos políticos.

A mais atual experiência boliviana e o passado de posturas golpistas não deixam dúvida sobre a hipocrisia das classes dominantes quando estas falam de democracia. Como podemos ver, faz parte da prática da direita considerar democrático e legítimo apenas a manutenção dos seus interesses. Segundo os discursos da direita boliviana, união, legalidade e democracia só podem existir quando prevalecem as suas posições e opiniões. Quando o povo lhe acompanha – como nos departamentos mais ricos da Bolívia – é considerado maduro; quando contrário aos seus interesses é acusado de inconseqüente, manipulado, massa de manobra, incapaz de decidir sobre os rumos do país.

A história demonstra a relação utilitarista das classes dominantes com a institucionalidade, a democracia liberal e o Estado burguês. Não hesitam em usar a violência – militar ou paramilitar – para defender seus interesses quando todo o aparato Estatal e institucional que funciona em seu favor não consegue mais conter o avanço das classes trabalhadoras e setores excluídos. Taticamente abrem mão das regras que criaram e consolidaram para se perpetuarem no poder. Para coroar, através dos grandes meios de comunicação no Brasil e no mundo, classificam e sistematicamente atacam governos que realizam sucessivos referendos e plebiscitos como autoritários. É a direita, sempre hipócrita.

Porém, além de conhecer bem nossos inimigos é fundamental analisar a nós mesmos, cabendo, portanto, uma pergunta: até onde oprimidos e explorados podem ou devem se apoiar nesta institucionalidade, comprometendo-se total ou parcialmente com regras que favorecem ao inimigo?

Depois da crise do chamado campo socialista, o maior acúmulo de forças obtido está localizado exatamente em parcela do poder do Estado: governos da América Latina. Ou seja, a "ironia do destino" colocou a esquerda em uma situação inusitada, complexa e paradoxal.

Inusitada, pois inédita e originada em um momento de hegemonia supostamente inquebrantável do capitalismo – aparência que inclusive contribuiu para levar militantes de esquerda à conclusão de que "se não podemos contra eles, nos resta abraçá-los". Complexa, pois envolve novos atores sociais, pautas e contradições resultantes da fragmentação do processo produtivo no neoliberalismo, além do cenário de crises e instabilidades cuja profundidade e desdobramentos são ainda imprevisíveis. Paradoxal, pois hoje, para garantir direitos sociais universais, nos apoiamos justamente no aparato estatal que funciona para manter a estrutura de classes e opressões da sociedade.

Os golpes – bem e mal sucedidos – e as sucessivas idas e vindas eleitorais da esquerda no continente nos servem de sinal amarelo, indicando a necessidade de, pelo menos, não perder o que já se conquistou. Por outro lado, depender da estabilidade democrática da burguesia para aprofundar as transformações em curso pode nos custar muito caro. Portanto, deparamo-nos com uma questão ainda sem solução teórica e política: como transitar do atual quadro de predomínio da disputa institucional – mais favorável à direita – para outro terreno mais favorável à esquerda?

A busca que "velhas toupeiras" e "grilos falantes" latino-americanos desempenham neste período histórico para encontrar novos caminhos passa pelo resgate e o estudo dos melhores ensinamentos deixados pelo movimento e pela teoria revolucionária e socialista dos séculos XIX e XX. Afinal, se mesmo com eles ainda não temos resolvidos os dilemas que nos afligem, certamente sem eles não temos a menor chance.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Inférias II


O brasileiro Luiz Vasconcelos foi o vencedor da categoria "Notícias Gerais" do World Press Photo of the Year, o maior prêmio do fotojornalismo mundial. Com esta mesma fotografia ele venceu também o prêmio Vladimir Herzog 2008.

A foto premiada foi publicada originalmente no jornal A Crítica, de Manaus (AM), em 10 de março de 2008, e mostra uma mulher indígena enfrentando um batalhão de policiais em uma disputa por terras.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Fim da História

letra e música: Gilberto Gil
1991


Não creio que o tempo
Venha comprovar
Nem negar que a História
Possa se acabar

Basta ver que um povo
Derruba um czar
Derruba de novo
Quem pôs no lugar

É como se o livro dos tempos pudesse
Ser lido trás pra frente, frente pra trás
Vem a História, escreve um capítulo
Cujo título pode ser "Nunca Mais"
Vem o tempo e elege outra história, que escreve
Outra parte, que se chama "Nunca É Demais"
"Nunca Mais", "Nunca É Demais", "Nunca Mais"
"Nunca É Demais", e assim por diante, tanto faz
Indiferente se o livro é lido
De trás pra frente ou lido de frente pra trás

Quantos muros ergam
Como o de Berlim
Por mais que perdurem
Sempre terão fim

E assim por diante
Nunca vai parar
Seja neste mundo
Ou em qualquer lugar

Por isso é que um cangaceiro
Será sempre anjo e capeta, bandido e herói
Deu-se notícia do fim do cangaço
E a notícia foi o estardalhaço que foi
Passaram-se os anos, eis que um plebiscito
Ressuscita o mito que não se destrói
Oi, Lampião sim, Lampião não, Lampião talvez
Lampião faz bem, Lampião dói
Sempre o pirão de farinha da História
E a farinha e o moinho do tempo que mói

Tantos cangaceiros
Como Lampião
Por mais que se matem
Sempre voltarão

E assim por diante
Nunca vai parar
Inferno de Dante
Céu de Jeová

Para ouvir: venha cá!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Homo Erectus

A animação é de Rodrigo Burdman baseada num conto de Marcelino Freire. A voz é do Paulo Cesar Pereio, um homem quase de outro mundo.

Vejam até o fim, sim senhores.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Férias II

Aqui vão 3 maravilhosas sugestões pra quem anda pouco ocupado(ao contrário de mim que estou trabalhando e tenho acesso limitado aos encantos da internet):


1. Eu preferia dizer alguma coisa politizada sobre Obama, mas esse é um post meio de férias, meio de patiologia, então a sugestão vai ser simples e direta. Neste site você faz um upload de sua foto(ou do seu cachorro, sua mãe, seu vizinho) e ela fica no melhor estilo Obama Progress.




2. Todo mundo já conhece o desciclopédia, né? Segue o mesmo formato de construção e atualização do wikipédia, mas lá é proibido falar sério e dar informações completamente fidedignas. Hein? No wikipédia também é assim? Anh...


Bem, o verbete UFBa do desciclopédia é ótimo: idiota e engraçado na medida certa, apesar de ter uma predominância da galera de exatas em sua construção. Mas o verbete de história deixa muito, muito a desejar, não conseguiu me tirar um sorrisinho de canto... até o de antropologia é melhor! Então, você que tá desocupado e é minimamente engraçado e entendido de historiografia, com certeza vai conseguir fazer picuinhas mais legais. Por que não ir lá e dar uma ajeitada naquilo?


Aproveita que só tem um mês de férias.


3. Por último uma sugestão séria. Só está como sugestão de férias por que durante as aulas a gente enrola e fica sem tempo de descobrir coisas no youtube. Ah, já ia me esquecer: é a mais séria também por que é uma sugestão de Igor e isso dispensa maiores explicações.

Manifesto em Animação

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A mídia contra Battisti



"Não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas. Portanto, antes de pretender nos dar lições de Direito, o ministro da Justiça faria bem se pensasse nisso não uma, mas mil vezes". Essa ofensa ao povo e ao Judiciário brasileiros, divulgada pela agência Ansa no dia 30 de janeiro, partiu da boca do deputado Ettore Pirovano, da Liga Norte, um partido de extrema-direita famoso pelas campanhas de ódio aos imigrantes e pela esdrúxula proposta de separar o norte (rico) da Itália do resto (menos rico) do país.
O discurso cafajeste de Pirovano, com seu eufemismo de mau-gosto para se referir a outro ofício que não o de dançarina, já revela muito sobre o universo mental da coligação governista da qual ele faz parte, em companhia dos neofascistas declarados que, sob a batuta de Silvio Berlusconi, sentem novamente o gosto do poder, mais de 60 anos depois que Mussolini teve o seu merecido fim. O assunto: a decisão de Tarso Genro de conceder ao ex-extremista italiano Cesare Battisti, residente no Brasil, a condição de refugiado político, o que inviabiliza o pedido de extradição feito pelo governo italiano.
Diante do alarido que a imprensa brasileira tem feito em torno do tema (manchete principal numa das edições do Estadão!), era previsível que aquela fala destemperada de um aliado de Berlusconi aparecesse com destaque na mídia brasileira, certo? Errado. A notícia passou batida pela imprensa empresarial, que permanece, em duas semanas de intensa cobertura do tema, fiel a um padrão bem conhecido. Tudo o que se presta a reforçar as posições dos donos das empresas jornalísticas é realçado, martelado até ganhar as feições de verdade auto-evidente. Já os conteúdos que podem alimentar argumentos contrários são minimizados, relativizados ou omitidos.
O mecanismo é bem conhecido dos estudiosos da comunicação. Noam Chomsky foi quem melhor elucidou a dialética de "ênfases" e "omissões" que garante às classes dominantes a difusão das idéias do seu interesse sob o manto insípido da objetividade. Mas a postura da mídia empresarial nesse episódio também pode ser explicada a partir das teorias do sociólogo Ervin Goffman, que desenvolveu nos anos 70 o conceito do "enquadramento". Trata-se, segundo Goffman, do dispositivo interpretativo mais geral que envolve os conteúdos específicos. Opera de uma forma sutil, como uma moldura invisível ao redor dos fatos. Uma vez estabelecido, garante que o juízo do receptor se incline, automaticamente, para o enfoque escolhido pelo emissor.
A maneira como essa moldura foi construída no caso Battisti daria uma tese de doutorado. A Folha de S. Paulo, por exemplo, se refere ao ex-militante como "terrorista", desprezando a existência pacata que ele mantém há 30 anos. O governo italiano, em contrapartida, aparece na mídia brasileira como uma entidade neutra, imune às paixões políticas. O nome de Berlusconi raramente é mencionado. As motivações do ministro Tarso Genro são pintadas como "ideológicas", como se as autoridades italianas ou os próprios jornais atuassem à margem das ideologias.
Nesse esquema, a imagem simpática da Itália se converte em capital simbólico para legitimar decisões tomadas pelo Judiciário daquele país no contexto da turbulência política da década de 70. Qualquer que seja a verdade sobre a participação de Battisti nos crimes a ele atribuídos, é incontestável que não se tratava de delinquência e sim de ações políticas, como reconheceu o ex-presidente Francesco Cossiga ao se referir a ele como "um subversivo". Isso, por si só, já justificaria a decisão de Genro.
A ultra-esquerda da época, com todos os erros, tampouco tinha como inimigo um estado de Direito "normal", mas um regime democrático degenerado, dirigido por um primeiro-ministro, Giulio Andreotti, com ligações mafiosas mais do que provadas. Leis assumidamente "de exceção" foram adotadas no combate à esquerda armada e o Estado italiano recorreu, sim, a violações aos direitos humanos, inclusive à tortura, como denunciou a Anistia Internacional.
Tudo isso é história, mas a imprensa, ainda assim, insiste em desprezar o contexto tenebroso em que se deu a condenação de Battisti. Na descrição do filósofo Norberto Bobbio, a Itália se achava submetida a um "criptogoverno", em que as autoridades "agem na sombra em articulação com os serviços secretos". Um cenário de "mistérios", de verdades encobertas, de "trevas" que "não foram dissipadas". A citação, que a mídia não teve a gentileza de compartilhar com os leitores, está no livro O Futuro da Democracia e faz parte do arrazoado de Genro.
Por fim, uma pergunta básica, incontornável: qual é a motivação do governo italiano? Por que tanto empenho em botar as mãos num personagem tão inofensivo, depois de tanto tempo? A resposta, ou parte dela, está na conjuntura doméstica da Itália, marcada pela crise e por uma onda de protestos em que se sobressai um vigoroso ativismo estudantil. Berlusconi e seus aliados reagem à ascensão de uma esquerda não-domesticada sacudindo o espantalho dos "anos de chumbo".
A histeria em torno do caso Battisti, manipulado para criar uma anacrônica associação entre os "radicais" de ontem e de hoje, nada tem de irracional. Ao contrário, dá respaldo a um discurso em que o prefeito fascista de Roma, Gianni Alemanno, acaba de declarar que "o movimento estudantil italiano (seria) dirigido por 300 criminosos da universidade La Sapienza".
Quanto às motivações da imprensa tupiniquim, a explicação é mais simples. A oposição conservadora, diante da patética escassez de argumentos para 2010, quer incluir no seu arsenal de campanha a denúncia do "apoio a um terrorista". Rende votos, supostamente, e ajuda a manter acuados os setores de esquerda no governo Lula e no PT. Tal como espaguete ao sugo e queijo parmesão, a agenda repressiva do governo Berlusconi combina perfeitamente com os interesses do conglomerado PSDB-DEM-mídia-banqueiros-agronegócio. Uma direita ajuda a outra.

Igor Fuser é jornalista
Artigo publicado no www.operamundi.net

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Venezuela - 10 anos de revolução bolivariana!


No dia 2 de Fevereiro a Venezuela completou 10 anos desde a primeira posse do presidente Hugo Chávez em 1999, dando início a uma experiencia inédita na América Latina de enfrentamento às políticas neoliberais e de recolocar na agenda política do continente a atualidade e necessidade do socialismo.

Parabéns, Venezuela!

Viva a Revolução Bolivariana!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Viva a Revolta dos Malês!


"Sou filho natural de negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luísa Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa, magra, bonita, a cor de um preto retinto sem lustro, os dentes eram alvíssimos, como a neve. Altiva, generosa, sofrida e vingativa. Era quitandeira e laboriosa." Luís Gama

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ainda mais abusiva!


O ano de 2009 chegou trazendo novidades para a população de Salvador. No primeiro dia deste novo ano que se inicia a população foi surpreendida com o aumento da passagem do "Buzú" de 2,00R$ para 2,20R$, se já era abusivo agora então nem se fala.

A medida foi tomada nesta data antes alguém inventasse de criar uma comissão para discutir o transporte na câmara de vereadores e para evitar mobilizações e ações de rua contra as tarifas já que os estudantes que historicamente tem ido às ruas questionarem os aumentos das tarifas estão de férias.

O transporte coletivo na cidade de Salvador é precário, com seus ônibus em péssimo estado, lotados, para se chegar aos bairros mais populosos de Salvador é regra ser obrigado a utilizar dois buzús (pagar duas vezes) até porque a "integração" que foi implementada é extremamente complicada e ineficiente, a política de cobrança da meia passagem é pré-paga (SalvadorCard) o que dificulta muito a vida da maioria da população que precisa sempre que acabam os créditos se dirigir aos raros postos de recarga (são apenas três) e por ultimo o horário de abertura e fechamento destes postos que em nada condiz com a realidade dos setores que se utilizam do transporte público.

Milhares de equívocos compõem o panorama do transporte na Capital, todo mês quando os créditos acabam milhares de jovens ou andam quilômetros ou deixam de ir para suas escolas. A política de transporte de Salvador e a evasão nas escolas públicas andam de mãos dadas.

A composição da tarifa é um verdadeiro mistério, pagamos e nem sequer sabemos o que estamos pagando. Será que alguém, fora os que vêem o dinheiro entrando todo mês em suas contas, sabe quanto é à margem de lucro das empresas do setor?

Por trás dessa situação caótica esta o sindicato PATRONAL das empresas de ônibus (SETPS), eles tem o controle absoluto do transporte coletivo de Salvador com as graças do atual prefeito João Henrique (PMDB) e com o silêncio da grande imprensa baiana (que até agora não se ocupou do assunto).

Temos o direito a Cidade, o direito de ir e vir, o direito de trabalhar, estudar e se divertir, afinal de contas esta cidade não é apenas "cidade pra turista vê" vivemos nela e sobre ela temos Direitos, por isso precisamos questionar e mobilizar todos contra o aumento da tarifa de ônibus e se o prefeito e o empresariado acham que nos vamos ser vencidos pelas férias estão enganados!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

MST, 25 anos de teimosia!


Em janeiro de 1984, havia uma processo de reascenso do movimento de massas no Brasil. A classe trabalhadora se reorganizava e acumulava forças orgânicas. Os partidos clandestinos já estavam na rua, como o PCB, PCdoB, etc. Tínhamos conquistado uma anistia parcial, mas a maioria dos exilados tinham voltado. Já havia se formado o PT, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Conclat (Coordenação Nacional da Classe Trabalhadora).

Amplos setores das igrejas cristãs ampliavam seu trabalho de formiguinha, formando consciência e núcleos de base em defesa dos pobres, inspirados pela Teologia da Libertação. Havia um entusiasmo em todo lugar, porque a ditadura estava sendo derrotada e, a classe trabalhadora brasileira, na ofensiva, lutando e se organizando.

Os camponeses no meio rural viviam o mesmo clima e a mesma ofensiva. Entre 1979 e 1984, se realizaram dezenas de ocupações de terra em todo o país. Os posseiros, os sem terra e os assalariados rurais perderam o medo - e foram à luta. Não queriam mais migrar para a cidade como bois marcham para o matadouro (na expressão de nosso saudoso poeta uruguaio Zitarroza).

Fruto de tudo isso, nos reunimos em Cascavel, em janeiro de 1984, estimulados pelo trabalho pastoral da CPT, lideranças de lutas pela terra de 16 estados brasileiros. E lá, depois de cinco dias de debates, discussões, reflexões coletivas, fundamos o MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Os nossos objetivos eram claros: organizar um movimento de massas a nível nacional, que pudesse conscientizar os camponeses para lutarem por terra, por reforma agrária (mudanças mais amplas na agricultura) e por uma sociedade mais justa e igualitária. Queríamos, enfim, combater a pobreza e a desigualdade social. A causa principal dessa situação no campo era a concentração da propriedade da terra, apelidada de latifúndio.

Não tínhamos a menor idéia se isso era possível. E nem quanto tempo levaríamos na busca de nossos objetivos. Passaram-se 25 anos, muito tempo. Foram anos de muitas mobilizações, muitas lutas e de uma teimosia constante, de sempre lutarmos e nos mobilizarmos contra o latifúndio. Pagamos caro por essa teimosia. Durante o governo Collor fomos duramente reprimidos, com a instalação inclusive de um departamento especializado na Policia Federal para o combate aos sem-terra.

Depois, com a vitória do neoliberalismo do governo FHC, foi o sinal verde para os latifundiários e suas polícias estaduais atacarem o movimento. Tivemos em pouco tempo dois massacres: Corumbiara e Carajás. Ao longo desses anos, centenas de trabalhadores rurais pagaram com sua própria vida o sonho da terra livre.

Mas seguimos a luta. Brecamos o neoliberalismo elegendo o governo Lula. Tínhamos esperança de que a vitória eleitoral pudesse desencadear um novo reascenso do movimento de massas, e com isso a reforma agrária tivesse mais força de ser implementada. Não houve reforma agrária durante o governo Lula. Ao contrário, as forças do capital internacional e financeiro, através de suas empresas transnacionais, ampliaram seu controle sobre a agricultura brasileira.

Hoje a maior parte de nossas riquezas, produção e distribuição de mercadorias agrícolas está sob controle das empresas transnacionais. Elas se aliaram com os fazendeiros capitalistas e produziram o modelo de exploração do agronegócio. Muitos de seus porta-vozes se apressaram a prenunciar nas colunas de jornalões burgueses que o MST se acabaria. Lêdo engano.

A hegemonia do capital financeiro e das transnacionais sobre a agricultura não conseguiu, felizmente, acabar com o MST. Por um único motivo: o agronegócio não representa solução para os problemas dos milhões de pobres que vivem no meio rural. E o MST é a expressão da vontade de libertação desses pobres.

A luta pela reforma agrária, que antes se baseava apenas na ocupação de terras do latifúndio, agora ficou mais complexa. Temos que lutar contra o capital, contra a dominação das empresas transnacionais. A reforma agrária deixou de ser aquela medida clássica: desapropriar grandes latifúndios e distribuir lotes para os pobres camponeses.

Agora, as mudanças no campo para combater a pobreza, a desigualdade e a concentração de riquezas depende de mudança não só da propriedade da terra, mas também do modelo de produção. Se agora os inimigos são também as empresas internacionalizadas, que dominam os mercados mundiais, significa também que os camponeses dependerão cada vez mais das alianças com os trabalhadores da cidade para poder avançar nas suas conquistas.

Felizmente, o MST adquiriu experiência nesses 25 anos: sabedoria necessária para desenvolver novos métodos e novas formas de luta de massa, que possam resolver os problemas do povo.

* João Pedro Stedile é integrante da coordenação nacional do MST.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

50 años de la Revolucion Cubana



Viva 50 anos de Resitência!
Viva CUBA LIVRE!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Palestina Pátria livre!


O papel político que o Estado de Israel tem desempenhado no chamado "Oriente Médio", já é conhecida por todos; são defensores dos interesses estadunidenses e europeus na região. A violência nos métodos israelenses também são conhecidos, a “limpeza étnica” que custou tantas vidas ao povo judeu, virou política do Estado Judeu; o holocausto revisitado.
Nesta disputa eleitoral entre a direita e a extrema direita judaica, estão o bloqueio e os conflitos em Gaza, os muros que evidenciam o aparthaid além dos, já famosos, massacre de palestinos. As ações recentes justificadas pelo “terrorismo”, na verdade é a cassação dos direitos democráticos dos palestinos, já que o Hamás conseguiu uma expressiva votação nas ultimas eleições palestinas. É a opção por ignorar autodeterminação do povo palestino.
Quando o Ocidente apóia o boicote e o sítio de Gaza, para atacar o Hamás com medo do seu fundamentalismo, declara os palestinos 'não aptos' para exercer a democracia. Todas as ditaduras mundo a fora, até hoje, fizeram a mesma 'avaliação'.
Diante do fracasso da “autoridade palestina”, da transformação do Fatah em um partido subserviente em relação à comunidade européia e diante dos fracassos dos acordos de Oslo que jogaram os palestinos em guetos impondo condições desumanas para a população palestina, o Hamás goza de popularidade porque promoveu mudanças sociais inédiatas, construindo clínicas, escolas, hospitais e oferecendo programas de assistência social para os setores mais pobres. As lideranças e quadros dirigentes do Hamas vivem como vivem todos os pobres na Palestina.
Deram demonstrações que não são iguais aos desesperados “homens bombas” de outros grupos, construindo um “cessar-fogo” em julho de 2003 que durou todo o verão, resistindo até mesmo às provocações e as mortes geradas pelo exercito de Israel.
As assimetrias entre as ações de Israel e as reações palestinas são gigantescas. Os ataques israelenses aos palestinos é imoral, irracional e ilegal.
A forma como Israel tem agido em relação aos palestinos e ao Líbano somado ao apoio bélico dos EUA, tem gerado tensionamentos dentro da própria comunidade árabe, em breve poderemos assistir mudanças importantes dentro das próprias ditaduras árabes consideradas “moderadas” ou “aliadas” que ajudam a manter a hegemonia Yankee na região, ampliando o processo de anti-estadunidense e anti-israelita, em síntese o apoio dos Estados Unidos a Israel vai custar caro para os estadunidenses. Independente de outras coisas isso significa mais violência na região.
A cada novo conflito fica evidente que a tentativa de se construir dois Estados, um judeu e um árabe, esta cada vez mais distante, para muitos o projeto sionista já fracassou, evidencias desse processo estão nas manifestações contrarias as políticas de Israel e o apoio internacional a chamada “questão palestina”. Se confirmado esta hipótese em breve os judeus se deparam com a mesma questão que se deparam as potencias neocoloniais que utilizaram a violência escancarada; sair da palestina.
Se as práticas do Estado de Israel não mudarem, ficara cada vez mais difícil a construção do projeto sionista, mas também em grande medida impossibilitará outras alternativas pacificas, já que os palestinos estão sendo empurrados para ações extremadas.
Fica sempre a esperança de que o próprio terror possa fazer brotar uma oportunidade de unificar esses dois povos sobre um único Estado; na “Palestina Histórica”, e acabar com essa guerra colonialista.
Palestina Pátria livre!